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Memórias de Um Pintor ( Missão Artística Francesa)

  • Foto do escritor: Milena Vilaqua
    Milena Vilaqua
  • 26 de jan. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 30 de jan. de 2021

Rio de Janeiro, 07 de junho de 1828




Senhorita Catarina Belardo.




Não sabes a saudade do meu coração, não sabes o quanto meu coração se comove em meio a saudade de você. Gostaria que estivesse aqui para presenciar este lugar comigo, e se deleitar observando as maravilhas desse paraíso, dessa nova terra.


Aqui tudo é um pouco diferente, eu já lhe havia dito. Meu único problema quando cheguei foi comprar mercadorias com francos, mas graças a Deus, isso já foi resolvido. A corte liberou-me para visitar o local. Observei alguns detalhes. Por acaso, lhe digo que encontrei algo mui embaraçoso por essas bandas: existem alguns povoados de gente pretinha, têm pele escura. Por certo motivo não aparente, esses povos são severamente castigados por aqui, além da maioria serem escravos. Na França, já presenciei gente desse tipo, mas não em tanto número como aqui. Pintei algumas obras revelando alguns momentos que presenciei deles por aqui. Lancei um volume repleto de situações do cotidiano e a cultura dessa terra. Estou ansioso para mostrar-lhe. Logo, esses quadros chegarão até você. Quero que se lembre de mim quando vê los.


Fui autorizado também para viajar nessas terras e observar cada detalhe. A melhor parte foi quando visitei uma floresta quase que tropical. É belíssima para se retratar, quando não está chovendo nela é claro. Desembarquei numa terra chamada de “Rio de Janeiro”. E acho que vossa senhorita já ficou sabendo da Academia Imperial de Belas Artes daqui. Estou sendo professor, e dando aula de pintura a muitos novatos. É bom e deslumbrante. Essa terra é bonita, tem um mar que só o São Pedro! A recepção também é boa, há fartura em comida, e o melhor de tudo é a natureza e os animais. Gostaria muito que a senhorita estivesse aqui comigo, cara Catarina. Se eu pudesse, pintaria mil quadros somente seus, sabe disso.


Preciso cumprir a minha parte do trato quanto à Corte Portuguesa. Necessito de ficar por mais alguns anos nesta terra. Assim que puder, trarei você pra cá, ou eu irei até aí em seus braços, para dar-lhe um abraço e um beijo forte. Tenho certeza que ficará maravilhada se vier algum dia visitar este lugar. Aqui há todo o tipo de comida, há riquezas, natureza bela e colorida... tudo o que um pintor podia almejar. Só me falta você aqui para completar.


Em pouquíssimos detalhes, fiz esse desenho de uns coqueiros que vi aqui pela praia do Rio de Janeiro, dedicado a você. Na hora em que o fiz, não tinha muitos recursos, então eu o fiz simples. Retratei a paisagem que estava visualizando no momento, a praia linda e bela. Sei que gosta dos meus desenhos básicos a mão, espero que goste. Lembre-se de mim.






Je t´aime, Catarine

de son amant, Jean Baptiste Debret


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