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Confusão no Tribunal Livre| Texto Teatral

  • Foto do escritor: Milena Vilaqua
    Milena Vilaqua
  • 26 de jan. de 2021
  • 5 min de leitura

Atualizado: 27 de jan. de 2021


CONFUSÃO NO TRIBUNAL LIVRE


NARRADOR – As coisas na vida nem sempre são como a gente quer. (Pausa). Ah! (Aponta para o menino). Esse é o Zé, um pobre coitado julgado por roubar uma caneta...


– Eu não acredito que estou nessa espelunca por uma simples caneta BIC!


JUÍZ – Silêncio no tribunal!! Ordem! Todos calados! Hoje é um dia decisivo para a Escola Class no Tribunal Livre dos Alunos. (Bate o martelo).


– Poxa vida...


JUÍZ – Que comecem as acusações!


CLAUDINHA – Senhor juiz, eu sou testemunha de que no dia em que a Ritinha perdeu sua caneta, o Zé tinha pedido algo emprestado do estojo dela!


JUIZ - Promotor, anote as acusações.


– Meretíssimo, eu protesto!


JUÍZ – Vamos continuar.


– Mas eu...


CLAUDINHA - (Sussurra) Esse aí já era.


RITINHA – Ah senhor, eu estou tão triste pela minha caneta...


– Mas que diabos!! É só uma caneta BIC comunzinha! Eu protes...


RITINHA – Protesto meretíssimo! (Interrompe). Essa era a minha caneta favorita e ele não pode falar assim dela!


JUÍZ – Pois bem, Zé, cuide com as palavras de baixo calão.


– Meu Deus, o que foi que eu fiz?


RITINHA – Chamou a minha caneta de BIC comunzinha!


CLAUDINHA - Ô moleque burro...


– Ela era sua filha por acaso? Sua namorada, namorado, sei lá! Sua mãe?


JUÍZ – Ordem! (Bate o martelo). Alguém mais quer realizar uma acusação?


PEDRINHO – Eu senhor!


JUÍZ – Pois bem, prossiga.


– Lá vem...


PEDRINHO – Aquela caneta, possuía um sentimento nobre... sua perda foi como a perda de um ente querido... ela escrevia tantos versos bonitos, era responsável por escrever no caderno da minha linda Riti... (Disfarça). Quer dizer, da minha colega Ritinha. (Cochicha) Que mais que eu digo Ritinha?


RITINHA – (Cochicha) Já falou o suficiente.


ZEZINHO – Seus idiotas! Eu não roubei essa droga de caneta BIC comunzinha!


RITINHA – Senhor juiz, olha só como esse moleque fala! Insensível! Minha caneta não é comunzinha! (Faz cara de choro e birra).


JUÍZ – Mais uma palavra dessas Zé, e você não terá mais direito de se defender!


– Como se eu já tivesse me defendido...


PROMOTOR – Bom, as acusações são claras. Realmente Zé, você não tem escolha.


– Eu protesto! Pedrinho nem me acusou, apenas lamentou a perda daquela caneta endiabra... quer dizer, aquela caneta belíssima e gloriosa que...


JUÍZ – (Interrompe) Já chega. Você será condenado a prisão por 3 anos, em vista desse crime tão cruel.

– Crime?? Já chega dessa palhaçada, eu não vou ser preso! (Se levanta da cadeira e vai até Ritinha). Olha aqui sua miserável! Você é tão linda e maravilhosa, pra completar só lhe falta cérebro, olha se não te mato inteirinha em pedaços!


RITINHA – Seu juiz, seu juiz, faça algo! Ele está me ameaçando!


– Sem chance, agora vocês vão me deixar falar nem que eu tenha que matar alguém aqui! RITINHA – (Chora falsamente).

– Me digam em voz alta, como é o nome desse Tribunal?


JUÍZ – Já chega de gracinhas, prendam ele!


– Artigo 13 da constituição escolar, parágrafo 4: O acusado tem direito de se defender com o que puder, em meio as acusações dos demais!


JUÍZ – Isso é uma brincadeira!?


PROMOTOR – Não senhor, realmente é verdade.


JUÍZ – Pois bem, vá e faça sua defesa. Você tem 3 minutos.


– Que ótimo, nem o juiz sabe a constituição... enfim, o nome desse Tribunal é o Tribunal Livre dos Alunos, ou seja, eu posso ser livre para me defender, mas mesmo assim nem sequer vocês me deixavam falar. Eu já disse que não roubei nada, eu quero provas concretas e acusações sensatas! Eu não aguento mais essa miséria! Aliás, eu já sei até quem roubou essa droga de caneta BIC... quer dizer, essa caneta.


JUÍZ – Todos nós sabemos, foi você!


– Não. Foi o Ruan!


RITINHA – O Ruan...?


CLAUDINHA - Agora sujou...


– Querem a prova? Vão chamá-lo!


RITINHA – Mas por que...? Pare de atrasar sua sentença seu moleque atrevido!


JUÍZ – Mandem chama-lo logo!


(Pedrinho vai chamar o Ruan, o “quase” namorado de Ritinha).



RUAN – Oi... por que me chamaram?


– Ruan!! Meu velho amigo maravilhoso! Vem aqui rapidinho!


RUAN – O que foi?


– (Cochicha) A Ritinha está super triste... por que você não a alegra com uma cartinha? Vai deixa-la feliz! É sua chance!


RUAN – (Cochicha) Por que tão de repente??


– Vai logo, escreve isso!


RUAN – Tá bem, mas é só porque é pra Ritinha! Ei, quem são toda essa gente?


– Fala baixo! Essas pessoas são... hã... isso é uma reunião escolar!


RUAN – Sei...


(O juiz, o promotor e todos do banco observam Ruan e Zé conversando, quando do nada Ruan retira uma caneta do bolso).


JUÍZ – Mas... mas essa é a caneta da senhorita Ritinha! (O juiz faz uma cara de surpresa).


RUAN – O que, onde, como?


PROMOTOR – Então... o Zé tava certo!


– Eu disse seus burros! A caneta tá com ele, não comigo!


JUÍZ – Condenarei o Ruan por roubo!


RUAN – Ei, o que tá acontecendo? Do que tão falando?


RITINHA – Não, por favor, não condene ele!


PROMOTOR – O que?


(Todos olham confusos para a garota).


RITINHA – A culpa é minha. Eu sabia que não era o Zé quem havia roubado essa caneta, mas eu queria condená-lo de todo o jeito, ele não saia do meu pé, não parava de me paquerar o tempo todo! Eu estava de saco cheio. Inventei essa história da caneta e mandei todo mundo falar o que eu queria, para acusar o Zé.


JUÍZ – Ora menina má! Que é isso? Que é isso?


– Eu disse senhores, eu disse!


RUAN – Alguém me explica o que está havendo?


PROMOTOR – Zé, como o senhor sabia que a caneta estava com o Ruan o tempo todo?


– Simples! A caneta BIC da Ritinha tem umas duas cores, e o Ruan escreveu um bilhetinho pra ela ontem, e por coincidência estava com a mesma cor da caneta dela! Quase ninguém tem essa caneta aqui na escola. Além do mais, ele não devolveu a caneta pra Rita na hora, já que ela havia caído no vaso sanitário...


JUÍZ – Vaso sanitário??


– É seu juiz, eu a vi jogada dentro do vaso sanitário que o Osmar usa...



PEDRINHO – O Osmar não é aquele nojento que cheira a ovo podre?


CLAUDINHA - (Olha para Ritinha) Ih, caramba...


RITINHA – O que você... Você tratou a minha caneta tão mal assim, Ruan?


RUAN – Eu queria fazer minha tarefa de história, tava sem o estojo... fui pro banheiro e enquanto isso fiz a tarefa com a sua caneta, juro que eu ia devolver... ela caiu no vaso sanitário e depois eu peguei, porque sabia que tinha que te devolver... eu só peguei emprestado...

RITINHA – Pois eu termino nosso namoro! Seu nojento sujo! Estragou minha caneta!


JUÍZ – Namoro?


PROMOTOR – Namoro?


(Todos olham assustados para Ritinha)


CLAUDINHA - (fica de boca aberta e corre até Ritinha gritando) Sua falsa! Como é que você pôde mentir pra mim assim, Rita?


JUÍZ – Namoro em colégio é proibido!


PROMOTOR – Que crime cruel!


RITINHA – Lascou... corre negada!


NARRADOR - Ritinha foge junto com seu admirador Pedrinho, acompanhado por Ruan, em meio as risadas de fundo do Zé, orgulhoso por ter saído como inocente.


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